“As duas faces de Jano”: o eclesiástico e o secular na ADPF 54 à luz da filosofia de Jürgen Habermas.

Raique Lucas de Jesus Correia, Marta Gama

Resumo


O projeto empenhado na modernidade, através do “processo de racionalização”, fez surgir um mundo incompatível com as tradições. A nova era que se instaurava, infensa às imagens religiosas, procurou expurgar o “divino” dos domínios da vida. Todavia, a despeito do que se acreditava, as imagens piedosas continuaram se expandindo nas sociedades modernas, ganhando inclusive expressão política, o que suscitou uma série de tensões entre “fé” e “razão”. Buscando amenizar estes conflitos, Jürgen Habermas propôs a configuração de uma sociedade pós-secular, isto é, um modelo onde à presença religiosa é reconhecida e seus discursos comportados na arena pública, bem como uma reformulação do conceito de democracia deliberativa a partir do agir comunicativo, que lança as bases para uma esfera pública institucional discursivamente organizada e legitimada. Diante disto, tomando a análise de conteúdo (BARDIN, 1997) como instrumento metodológico, o presente trabalho buscou - à luz do pensamento habermasiano -, compreender a relação entre cidadãos religiosos e não religiosos no âmbito da ADPF 54, conforme empreendeu esforços por uma revisão bibliográfica contundente acerca do problema enfrentado. Ao fim, foi possível constatar, no recorte analisado, a hostilidade da arena pública brasileira frente à possibilidade de um modelo pós-secular.


Palavras-chave


Secularização; Estado pós-secular; Jürgen Habermas; ADPF 54; Modernidade.

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Revista Diálogos Possíveis. ISSN impresso 1677-7603
ISSN eletrônico 2447-9047